Filme de 2010, do diretor Tom Vaughan, aborda a história real da luta de um casal que tem dois filhos com uma rara doença de acúmulo e degenerativa, a Doença de Pompe.
Uma doença de depósito lisossômico, um erro inato do metabolismo do glicogênio, essa doença era fatal até a descoberta de uma forma de se repor a enzima defeituosa, a alfa-glicosidase-ácida. A deficiência da função dessa enzima leva ao acúmulo de glicogênio no interior dos lisossomos, o que é particularmente danoso às células musculares cardíacas, esqueléticas, e aos neurônios, manifestando-se por fraqueza muscular progressiva (com comprometimento, inclusive, do diafragma, o que leva à insuficiência respiratória progressiva do tipo II), insuficiência cardíaca progressiva e déficit neurológico.
O filme mostra, sem cair na mesmice do sentimentalismo gratuito e nem, pelo contrário, posicionar-se distante do sofrimento das crianças, a luta de um pai determinado a financiar pesquisas para encontrar uma cura para a doença.
Abordando vários aspectos-chave, como a dificuldade de se lidar com profissionais extremamente temperamentais e de se trabalhar contra o tempo e as expectativas de vida estabelecidas há décadas, o filme mostra as dificuldades e conflitos do mundo das pesquisas farmacêuticas. A rentabilidade do empreendimento como um fator limitante da descoberta de drogas-órfãs (solitárias no tratamento de uma determinada doença), as questões éticas de se ter um pesquisador ou administrador envolvido com as finalidades da pesquisa (conflito de interesses), os fatores de exclusão/inclusão em um determinado estudo e a possibilidade de estudo com irmãos, como uma esperança para os irmãos Crowley.
Harrison Ford está impecável como o Dr. Stonehill. Com uma atuação fantástica, o ator se engajou num estudo aprofundado sobre a doença e a atuação da enzima, convencendo os expectadores de que é um pesquisador competente.
Brendan Fraser interpreta John Crowley, o pai das crianças com Pompe e o protagonista da história. Mostra que também é excelente em dramas, da mesma forma como o é em comédias.
Filme de extremo bom gosto, que mostra a indústria farmacêutica como um mal necessário, com regras aparentemente injustas, mas que têm por objetivo sustentar sua credibilidade e garantir boas descobertas.





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