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domingo, 4 de julho de 2010

Beleza Roubada (Stealing Beauty)

     Filme de 1996 dirigido por Bernardo Bertolucci, premiado diretor italiano de grande renome ganhador do Oscar de melhor Roteiro Adaptado por O Último Imperador, ganhando também o Globo de Ouro de melhor Roteiro pelo mesmo filme, entre outros prêmios.

     Beleza Roubada é uma obra prima para os amantes do cinema-arte, pois incute beleza em cada centímetro da tela.

     Com uma técnica mais rudimentar de filmagem e isento do glamour das câmeras, as belezas naturais são exarcebadas. O primeiro ponto alto do filme foi a escolha de Liv Tyler para interpretar a protagonista Lucy, uma moça dotada de tamanha beleza natural que não se faria possível com a escolha de uma atriz comprometida pelo glamour hollywoodiano. Liv traz a forma crua da sensualidade feminina despontando de uma puberdade recém vivida, mesmo sendo mostrada babando durante o sono.

     É incrível a forma como Bertolucci busca a beleza de assuntos banais, como no enredo desse filme, que aborda a busca de uma jovem por informações de seu passado, sobre quem ela é por meio da descoberta do seu verdadeiro pai.

     A presença de Lucy, uma jovem americana intensa, cheia de vida traz uma inquietude indizível para os moradores da pequena cidade italiana de origem de sua mãe. Sua beleza é tão exposta que ela atrai os olhares de todos ao seu redor e se mostra bela nas mais diversas situações, como quando fala de boca cheia, dança de forma desengonçada, canta sem muita preocupação com a afinação de sua voz, fuma maconha ou vomita. Ela é visceralmente bela.
     Com sua chegada ela acaba pondo em cheque toda a estabilidade e adquire diferentes representações para cada um dos personagens. Para Alex, paciente terminal, ela foi "A incrível frivolidade dos moribundos".

     Do cenário e da técnica de Bertolucci ressalto a preferência pelos detalhes, a ponto de se deter numa cadeira em queda e no penetrante e expressivo olhar de Liv Tyler por várias e repetidas vezes, aproveitando o máximo da expressividade da atriz quanto possível; e a opção pelo sugerir-mas-não-falar que domina a narrativa, quando, mais uma vez, se fazem presentes os olhares inundados de significados. É um filme que toma emprestado da Itália as mais belas paisagens naturais para mostrar todo o não-dito da trama.

     A beleza da arte margeia o feio, o estranho, o bizarro, o repugnante, incorporados no personagem de Ian, o artista da história.
     Instigante, intrigante, belo, visceral, puro, sugetivo, expressivo, Bertolucci!!!

Texto de Responsabilidade total de Natália Suellen Braga da Silva.

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